Quando é que vale a pena comprar barato?

Quando surgiu a moda da jaqueta perfecto, láááá em 2009, eu lembro que fiquei louca para comprar uma. As de couro verdadeiro estavam fora de questão: mesmo trabalhando, eu não tinha 500 paus pra dar em uma. Acabei encontrando uma perfecto perfeita (oi!) em couro vegetal em uma loja feminina aqui do Rio, por menos de R$ 300. Era do jeito que eu queria, cheia de bolsos e zíperes e, pelo inverno inteiro, eu fui uma das poucas pessoas que teve uma jaqueta naquele modelo – o que rendeu de gente dizendo que eu estava vestida de motoqueira, iiih, vocês não imaginam!

Daí que o tempo passou, e eu continuei usando a jaqueta. Usei com vestido, com legging, com jeans, com saia. Usei no inverno, em brisas eventuais de outras estações do ano, usei, usei e usei. E quando chegou o momento de, mais uma vez, colocar minha coleção outono inverno pra jogo, eis que…

couro_vegetal

Minha jaqueta do amor está destruída, e não de um jeito bonito: descascada, com o forro pintado todo exposto, tudo de fora. Achou ruim? Pois veja bem, descobri no meio da night, no aniversário de uma amiga, quando percebi os pedacinhos pretos em cima de mim, da mesa, da cadeira, eu estava me desfazendo! Socorro!

Não consigo mais usar minha perfecto, mas também não joguei fora. Nessa hora me pergunto: será que eu deveria ter esperado mais um pouco e comprado uma jaqueta de couro verdadeiro por R$ 500 (preço da época)? Desconsiderando a questão ambiental à respeito de couro animal e couro vegetal, e pensando apenas no lado econômico da compra, o que vocês consideram? E indo além: em que peças vocês preferem investir mais ($$), e quais vale a pena gastar menos – e ter um material mais descartável?

O fato é que agora eu quero porque quero uma jaqueta de couro animal, que dure 20 anos, que se desgaste e fique bonita, mas adivinha… agora elas custam mil reais.

 

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Muita roupa para pouca estação

Na Revista O Globo, encartada no Jornal de mesmo nome, aqui no Rio, foi publicada uma matéria muito interessante no último domingo, dia 18/11. Ela fala sobre o boom de coleções, pré coleções e liquidações que parece ter tomado conta da moda brasileira – para vocês terem uma noção, já tem loja liquidando a coleção de verão, sendo que a estação nem chegou! Agora toda marca que se preze lança umas 3 coleções por estação (tipo pré-verão, verão e alto verão), e parece que a gente fica movido a novidade, a mudança de vitrine, a liquidação. Será que esse movimento todo é positivo ou só gera mais disperdício? Leia a matéria e discuta com a gente 😉

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(clica que ela cresce)

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“Marcas que tradicionalmente tem o perfil de fazer roupas mais cuidadas no acabamento também precisam atender o consumidor, bombardeado com um trilhão de novidades das lojas de fast fashion. O altíssimo fluxo de novidades faz o consumidor entrar em um ritmo alucinante. As pessoas estão comprando muito, com muita ansiedade. Um frenesi de consumo. Ainda é cedo para falar se isso é positivo ou não. O fato é que a gente está vivendo um desperdício de roupa. Um dos pontos positivos é que se faz uma moda mais democrática”

Patrícia Veiga, coordenadora de moda da TV Globo

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Eu (Fê Alves) acho o seguinte: a gente aqui no Brasil não estava acostumado com fast fashion. Esse é um fenômeno comum na Europa e nos EUA, mas aqui é muito recente – pergunte para sua mãe como era há 30, 40 anos atrás – e a gente vive uma euforia de consumo. A gente passa na vitrine da Zara (e da C&A, Marisa, Renner) e toda semana tem novidade, então toda semana a gente quer comprar, e como compra! Só acho que, para uma moda cara como é a feita no Brasil (já se ligaram no preço de marcas como a GAP lá fora? E na liqui? É chocante) e em que, em muitos estados, há pouca diferença nas estações, a gente pode estar eufórico demais. O mundo em crise a gente comprando blusinha, sabe como? Acho que vai chegar um momento em que essa poeira vai baixar e que a gente vai notar que, se não comprar o super-hiper-lançamento da semana, não tem problema. Vai ficar tudo bem, sabe.

Garimpo virtual

Nem todo mundo gosta de frequentar brechós. Sejamos honestos: muitas vezes eles são desorganizados, mal localizados e tem aquele cheirinho de naftalina ao fundo. Sem contar que, para encontrar aquela pecinha desejada, muitas vezes passamos por uma série de vestidos de vó, blusa de tia, ombreiras, enchimentos, tamanhos muito pequenos ou muito grandes – não é fácil, minha gente!

Por isso eu acho muito bacanas as iniciativas de brechós virtuais. Neles você já conta com uma curadoria: eles muitas vezes selecionam peças de acordo com um estilo específico e, mesmo sendo de segunda mão, geralmente estão dentro da moda atual – o que evita reformas! É uma forma de ser sustentável e economizar uns trocados. Vou apresentar alguns exemplos para vocês:

Vou começar puxando a sardinha pro meu lado, pode ser? Lá na garimparia, minha lojinha virutal, tem uma seção só de peças de segunda mão. Tem coisa que eu amo, mas não cabe mais (#gordelícia), ou que eu acho que não se encaixa mais no meu estilo de vida, essas coisas. Tudo com precinhos amigos!

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Outro brechó virtual que eu super cobiço é o da Barbara Zanella, o Dress Like a Nerd (o nome é ótimo, né?). Acho que rola um trabalho forte de garimpo, pq tem muita coisa nova, bonita e com super preço, difícil de sair do armário de uma pessoa só!

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O Meu Closet, Meu Jardim foi dica da Anah, que adora um achadinho. Os preços são um pouco mais altos, mas tem bastante roupa de marcas conhecidas, como Leeloo, Farm e Maria Filó.

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Agora conheçam os brechós de algumas meninas que participam do projeto do Vestido Viajante!

O Twice Upon a Time (também adoro esse nome!) é o brechó da Carol. Lá você encontra peças mais clássicas, bem do estilo dela.

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O Brechózinho da Lily é recente, e acabou de ser abastecido com sapatinhos bacanas.

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O Mafuá da Lual sempre é abastecido com o desapego do armário da Lual: são sandálias, vestidinhos, saias…

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A Mira tem uma tag só com os vestidos que coloca pra jogo. A maioria foi feita sob medida, então ninguém vai ter igual! Quer oportunidade melhor que essa?

E vocês, leitoras, recomendam algum brechó virtual? Vamos trocar dicas nos comentários!

Story of Stuff

6.436.738 BILHÕES. Esse é o número de peças de vestuário produzidas pela indústria no ano de 2010. Você consegue imaginar tanta blusa, meia, calça, saia, camisa, vestido? É um número tão grande que a gente demora para visualizar. E chega a dar aflição pensar onde tanta roupa foi parar – quanto foi desperdiçado, quanto está guardado, quanto já foi destruído ou virou lixo.

A gente vive em uma sociedade em que o consumo norteia a nossa vida. Parece que, para viver em sociedade, para ser feliz, a gente precisa consumir – e não estamos falando só de moda. O problema é que, para consumir, a gente precisa de recursos (madeira, petróleo, água), precisa de força de trabalho (na maioria das vezes mal paga) e, inevitavelmente, gera resíduos que vão lotar o planeta. Pensar no consumo como uma cadeia  ajuda a gente a enxergar o todo e notar como cada uma das nossas atitudes pode ter um efeito devastador (ou reparador) na vida de quem está em volta.

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O vídeo Story of Stuff dá um susto na gente, mas nos ajuda a pensar, nem que por um minutinho a mais, antes de comprar (e de desperdiçar). Se você tiver 20 minutos, assista. Prometo que vai valer a pena 😉

The Delightful Dozen

A internet está lotada de projetos bacanas que incentivam a nossa criatividade em tempos de crise. Até mais do que isso, inciativas que mostram um jeito diferente de nos relacionarmos com o que temos, o que compramos. O vestido viajante é só mais um desses projetos, que foi criado inspirado em vários outros, também muito bacanas.

O nome do título já vai direto ao ponto: quem já viu “Quatro Amigas e Um Jeans Viajante” sabe que a peça de roupa acaba funcionando como um pretexto para mostrar uma amizade linda entre quatro garotas diferentes, que enfrentam dificuldades e alegrias juntas. Nesse espírito, apresento a vocês um projeto muito bacana elaborado por 12 blogueiras gringas, o Delightful Dozen.

O projeto foi criado em 2010 pela americana Elizabeth, do blog Delightfully Tacky  e mais 11 meninas. O projeto durou 2 anos, com rodízio constante de participantes e apoio de uma série de marcas de moda nos EUA. Os objetivos da criadora – e das participantes – eram múltiplos: dividir, criar, se divertir. Junto com suas amigas mais próximas, ela conseguiu mostrar formas diferentes de usar uma mesma peça e foi além, com posts sobre DIY, compras, viagens. A troca de experiências foi muito mais importante do que a troca de roupas em si!

Convido vocês a conhecerem o projeto e suas participantes (tem até fan page no Face, olha aqui). Depois venham dizer o que acharam! Nos encontramos nos comentários 🙂

 

[Essa semana vamos mostrar outras ideias bacanas que nos inpiraram. Vem com a gente nessa viagem!]

1ª parada :: Fernanda Alves

Oi! Eu sou a Fernanda, do blog So Shopaholic, a dona do vestido viajante. Quer dizer, primeira dona – pq esse vestido está prestes a ter vida própria, a sair por aí e habitar outros armários, conhecer outros estilos. Para esse primeiro look, eu tentei usar o vestido de um jeito menos formal, uma vez que era um dos meus vestidos preferidos para ir ao trabalho – já usei assim e assim – então investi em um bom par de tênis e abri a parte de cima, para ficar bem descontraído. Usei para sair com o namorado em um fim de semana de sol:

Para acessorar o look, voltei aos básicos: lembra de uma época em que a gente só usava prateado?

Resolvi voltar com tudo pro prateado depois que comprei uma revista (a Esquire espanhola) que vinha com esse reloginho.  Acho que foi um impulso: adoro revistas, adorei o relógio, comprei. Ressucitei um colarzinho cheio de pingentes (quem curte?) e esse cinto lindo que não usava há tempos. Acho que esse é o espírito do vestido viajante: fazer a gente rever algumas coisas que já não usávamos, combinações abandonadas no fundo do armário… e voltar a gostar delas.

O que vocês acharam?

Beijos,

Fernanda

Conheça o vestido viajante!

Oi, tudo bom? Deixa eu me apresentar: eu sou um vestido xadrez, muito parecido com alguma coisa que você tem por aí, no seu armário. Fui comprado pela Fernanda em uma liquidação e fui usado para o trabalho, para o happy hour, para sair com o namorado… e depois, com o tempo, acho que fui meio deixado de lado. #chatiado

Quando surgiu a ideia de um projeto de moda e criatividade, de um vestido que pudesse conhecer o estilo de várias meninas diferentes, eu logo me joguei mais pra frente no armário da Fernanda. Puxei briga com as muitas saias e outros vestidos que vivem por lá, blusinhas assanhadas, teve até casaco querendo ir no meu lugar. Mas eu fui o escolhido, e agora vou viver uma aventura como nenhuma outra roupa jamais viveu (tá bom, outras já viajaram mais, principalmente aquelas que vocês compram no Ebay e que vem de Hong Kong)! Já estou me sentindo uma verdadeira estrela blogueira (hahaha, será que vou ganhar um jabá?) com um blog que tem meu nome no título!

Vou viajar por vários cantos do Brasil e conhecer essas meninas bacanas que querem provar que, sim, dá pra dar uma cara nova a um vestido velho de guerra como eu. Será que vai dar certo? Vem comigo nessa viagem! O primeiro look comigo entra no ar essa semana!

Beijos

– O vestido viajante

A moda é mesmo uma viagem

A moda é uma máquina de desejos que nos torna uma máquina de desejar. Desejamos o novo, o mais belo, temos uma sede por renovação que, a cada coleção, achamos que iremos matar. O problema é que essa é uma sede que nunca passa e, se nos deixarmos levar, acabamos esquecendo que temos um armário inteiro esperando por nós.

Como renovar o velho, fazendo dele novo? Esse é um exercício diário para quem gosta de moda: abrir o armário e fazer dele a nossa cartola! Será que conseguimos fazer diferente com o que parecer ser sempre igual?

O vestido viajante está aqui pra nos provar que dá, sim.

É só aguardar para conferir.

Beijos!

Fernanda